
“A liberdade é das maiores conquistas que se pode ter.
Desde que nascemos até ao momento em que morremos, somos privados desse sentimento várias vezes: a perda de liberdade.
Coisa estranha, perder a liberdade…”
Vou contar a história da andorinha de nome Maria.
A Maria nasceu com a asa esquerda mais pequena do que a direita.
Desde cedo, os seus pais perceberam que ela não seria igual aos seus irmãos — e provavelmente nunca viria a voar.
No entanto, tentaram não transparecer as suas preocupações e tratavam-na exatamente da mesma maneira que aos irmãos.
A andorinha Maria era muito inteligente. Tinha noção das suas limitações e sabia que nunca iria voar.
No entanto, graças aos seus pais, sentia-se apoiada e sabia que eles estavam dispostos a tudo para a ajudar.
Maria cresceu feliz e com uma determinação enorme.
Sempre que podia, fazia exercício para compensar a pequenez da sua asa esquerda.
Queria ser forte e voar como os seus irmãos.
Porém, o vento, de vez em quando, fazia das suas e empurrava-a para destinos diferentes do seu.
A andorinha Maria desenvolveu então a capacidade de correr muito depressa, para compensar a sua pequena asa.
Era normal vê-la correr de um lado para o outro a grande velocidade.
Certo dia, a andorinha Maria andava a brincar junto do seu ninho, quando ouviu um choro.
Primeiro baixinho… depois, tornou-se alto e ruidoso.
Curiosa como era, foi ver o que se passava.
O choro vinha da flor mais bonita que alguma vez tinha visto.
As suas pétalas azuis lembravam o céu e misturavam-se com o verde das árvores que a rodeavam.
Era uma flor elegante e muito feminina.
— Por que choras? — perguntou Maria.
A flor, por entre os soluços, respondeu:
— Porque passo o dia no mesmo lugar… não posso ver os lugares que os pássaros e os insetos relatam quando passam por aqui…
Uma abelha, que ouviu o burburinho, parou para saber o que se estava a passar.
A andorinha Maria explicou-lhe tudo.
Solidária com a situação, a abelha comprometeu-se a passar ali todos os dias para partilhar as novidades frescas.
Assim, a flor teria com que sonhar o resto do dia.
Certo dia, andava a andorinha Maria a passear nos seus pensamentos, quando começou a ouvir um zumbido.
Ao princípio, achou que era a sua amiga abelha Amélia, e começou a chamá-la.
Mas não obteve resposta.
O zumbido tornou-se mais alto e agudo.
Parecia que as árvores estavam a ser cortadas!
A andorinha Maria tentou voar para ver o que se passava, mas a sua pequena asa esquerda não lhe permitia atingir a altitude desejada.
De repente, viu famílias inteiras de animais a passar, desesperados.
Maria perguntou o que se passava, mas ninguém respondeu.
Enquanto pensava no que poderia estar a acontecer, viu a amiga abelha Amélia, que só teve tempo para gritar:
— Agarra-te com força!
Mas Maria não teve tempo de reagir. Começou a rolar descontroladamente pelo chão.
Nisto, passou pela sua amiga flor, que lhe lançou uma das suas folhas e gritou:
— Agarra que protejo-te!
A andorinha Maria agarrou-se com toda a força que tinha, e a flor enrolou as suas folhas em seu redor.
A flor era, na realidade, um pequeno plátano, cheio de raízes fortes, agarradas às profundezas da terra, que o impediam de ser arrastado pelo mais forte vendaval.
A pequena árvore começou a crescer… e crescer…
Tornou-se na mais frondosa e majestosa árvore do parque.
A andorinha continuava agarrada a ela — e agora, permanecia bem alto, podendo observar tudo o que se passava.
A ventania era, na verdade, um grupo de jovens raposas a brincar.
Provocavam tal alvoroço que assustaram os pequenos habitantes do parque.
Mas agora, a pequena andorinha Maria tinha um novo problema:
Como ia descer da árvore?
Então ouviu uma voz forte e grave dizer:
— Confia que consegues. Não tenhas medo.
A andorinha Maria confiou.
Deu balanço e deixou-se levar pela brisa do vento.
Para não cair, começou a bater as asas muito depressa — e, para sua surpresa, a asa esquerda começou a desenvolver-se.
A andorinha começou a voar.
Voou o dia inteiro, cheia de alegria e gratidão.
Em breve, Maria conseguia voar como os seus irmãos.
E como tinha aprendido a correr muito depressa, agora andava a ensinar os seus irmãos e amigos a desenvolverem essa capacidade.
Estava na hora das andorinhas voarem para outro lugar.
Mas a andorinha Maria não se esqueceu dos seus amigos: a abelha Amélia e o plátano Paula.
Passou o dia a fazer planos com elas e prometeu que voltaria na próxima primavera, com muitas histórias para contar.
Estes três amigos improváveis partilharam muito.
E partiram com a promessa de se voltarem a encontrar muito em breve.




